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Nem Software, nem Hardware: Somos Wetware

Nem Software, nem Hardware: Somos Wetware

Desde os anos 1950, e mais ainda com a internet, o termo "wetware" entrou no vocabulário. É uma metáfora útil para o cérebro e a mente humanos, permitindo nos integrar e nos distinguir das máquinas cada vez…

Desde os anos 1950, e mais ainda com a internet, o termo "wetware" entrou no vocabulário. É uma metáfora útil para o cérebro e a mente humanos, permitindo nos integrar e nos distinguir das máquinas cada vez mais inteligentes. O componente "hardware" do wetware são as propriedades bioelétricas e bioquímicas do sistema nervoso central; se a sequência de impulsos entre neurônios é o "software", os neurônios físicos são o "hardware".

Mas há diferenças fundamentais: (a) nossos sistemas são orgânicos (biológicos), não puramente mecânicos — são sistemas vivos; e (b) o wetware é a estrutura da consciência (autoconsciência e volição), cuja "localização" a ciência ainda não encontrou.

Para produzir a criatividade, originalidade e inovação necessárias hoje, precisamos usar o wetware de forma mais eficaz — e isso não vem de tratar a mente como máquina. Daniel Pink (*A Whole New Mind*) mostra que trabalhos algorítmicos (procedurais, lineares) são facilmente terceirizados ou digitalizados, enquanto os que exigem resolução criativa de problemas e empatia (designer, psicoterapeuta, planejador urbano) são difíceis de digitalizar — exigem um humano intuitivo, ou seja, wetware.

As três áreas de inovação A maioria das inovações se divide em **software** (código: IA, apps, bots, blockchain, redes sociais) e **hardware** (drones, impressão 3D, IoT, renováveis, carros elétricos). Há uma terceira, menos comentada: o **wetware** — termo cyberpunk que se refere à aplicação de hardware e software às formas biológicas de vida. Prefere-se "wetware" a "biotecnologia" porque sugere uma relação de mão dupla entre o mundo vivo e o tecnológico. DNA, sistema imunológico e a arquitetura neural do cérebro são exemplos de wetware, assim como chips cerebrais, marca-passos e próteses.

Avanços recentes: regenerar cartilagem com impressão 3D de células; mapear conexões neurais; programar bactérias com linguagem de código; armazenar imagens no DNA; edição de genes em embriões (legal na Suécia, China e Reino Unido). A maior parte do wetware ainda é imatura — o primeiro genoma humano foi sequenciado há pouco mais de uma década. Quando amadurecer, fará ondas anteriores de inovação parecerem brincadeira de criança, com impacto profundo no setor de saúde global.

Soa como ficção científica, mas é onde vivemos agora — o mundo real ficou mais estranho do que a ficção. Isso despertará sérios dilemas éticos e espirituais (lembre de *Gattaca*). Mas não enlouqueça: como disse Stewart Brand, "nós somos como deuses e podemos muito bem ser bons nisso". Com visão e coragem, podemos lidar com as máquinas biológicas de nossa própria criação.

Definições Wetware é gíria para o elemento humano de uma arquitetura de TI (o cérebro é ~75% água). Pode ser sinônimo de capital humano (programadores, desenvolvedores, arquitetos). Às vezes é usado de forma depreciativa como sinônimo de erro humano. Na neurociência, descreve as capacidades de processamento de informação do cérebro humano.

*Tiago Pereiras*